27 de ago de 2012

O casaco azul.

Era grande e pequeno. Macio e áspero. Apenas um casaco. Mas quando José o vestia, se sentia protegida do mundo, dos medos e da solidão. Naquela noite, preparando o jantar, José resolveu passar o rosto na textura do casaco que por tanto o acompanhara. Com a textura veio o cheiro, que já não era tão macio assim. Colou o nariz no casaco e lembrou-se de todas as imagens e cores do passado agora aspiradas pelo olfato. Despiu-se, já não queria revisitar. Vestido de uma camiseta velha e desbotada, e sem o casaco azul, sentou-se na cadeira vermelha e comeu tranquilamente seu prato de macarrão. Respirou aliviado.